COLUNISTAS

 Coluna dos Motociclistas:

 

 

Edris Oliveira Vasconcellos

 

PRADO – UM SONHO REALIZADO

 

- Prefiro o Moto Rock que o carnaval! O Moto Rock é festa de gente civilizada. – Falou-me um jovem pradense.

O rapaz aproximou-se de nós, enquanto tomávamos café da manhã numa pequena e tradicional padaria, na cidade de Prado, Bahia. Assim como sua gente, aquele pradense gosta e sabe tratar bem a nós, motociclistas.

Era domingo. Estávamos nos preparando para partir. Arrumamos nossas coisas nas motos e fomos até a padaria. Na manhã de sábado, já havíamos tomado o café nessa mesma casa, e fomos tratados com muito acolhimento, tanto pelo dono, como pela simpática funcionária, e decidimos voltar. Foi então que o rapaz se aproximou, querendo conversar conosco. Ele contou-nos sobre a alegria que os habitantes de Prado tem, em nos receber. Eu já havia percebido isso, mas ouvindo aquele rapaz falando, só reafirmou o que eu já sabia: Prado e motociclistas, tem uma história de amor.

Os 954 Km que separam a minha casa, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, até a simpática e acolhedora cidade de Prado, foram percorridos com ansiedade. Saímos de São Gonçalo, às 5h da manhã de quinta-feira, e tocamos até Linhares, no Espírito Santo, onde pernoitamos. Na manhã de sexta, montamos novamente em nossas máquinas de sonhos e pegamos à estrada. Um trecho que não me esquecerei, é aquele que corta a Reserva Biológica de Sooretama, ainda no Espírito Santo. Nossa! A estrada corta uma linda floresta e você acaba se sentindo parte daquilo tudo. O verde exuberante dos dois lados da pista. Uma reta que parece não ter fim e a natureza te abraçando e dizendo, “Veja o que posso fazer por você...”

A sensação de cortar a floresta numa motocicleta, por uma estrada perfeita e segura, faz o motociclista entrar numa espécie de êxtase. Quase um transe de felicidade. Uma viagem, onde o barato é natural. Sem contraindicação.

Prado ainda estava longe. Aproximadamente, uns 300 Km daquele local, e nós seguíamos cortando o vento, com nossas motos. Os motores pareciam estar ainda mais ansiosos que nós, e em certos momentos, precisávamos acalmar nossas máquinas para não perdermos a segurança.

Foram horas de puro prazer. Tanto na adrenalina da BR 101, quanto nas paradas que fizemos para descansar, nos alimentarmos e alimentarmos também as nossas máquinas, até que uma placa surgiu, informando que entrávamos naquele instante, no estado da Bahia. Era minha estreia. Nelson e Eduardo já haviam passado por lá. Mais alguns quilômetros e nos deparamos com uma pequena ponte, de uma só pista, tendo logo no acesso, um pórtico bem original, feito de madeira, onde uma cobertura de palhoça abrigava uma placa, também de madeira, com a frase talhada e pintada de branco que dizia, “SEJA BEM VINDO A PRADO”.

Por se tratar de uma cidade que teve origem numa aldeia de índios, descendentes dos Aimorés, o pórtico não poderia ser diferente. Simples, bonito e original. E nós, certamente, não passaríamos aquela fronteira, sem antes a reverenciar com fotografias.

Esperamos a nossa vez quando o último carro, vindo da direção oposta cruzou a ponte e passamos. “Enfim, Prado!” Postei no facebook, aquele mágico momento.

Estávamos em Prado, realizando um sonho que sempre fora adiado; por falta de dinheiro, moto sem condição de viagem, ou por motivo de trabalho. Mas 2017 foi o meu ano, e eu enfim cheguei a Prado. O encantamento foi imediato. Casinhas em estilo colonial, sem muros, tendo a porta da frente e também suas janelas, as margens da calçada. De cara para a rua, mesmo. Ruas essas, todas de paralelepípedos, assim como muitas de suas calçadas do centro histórico, onde moradores se sentam a tarde, e ficam por lá, conversando tranquilamente.

Que delícia, estar ali! E logo na entrada, algumas tendas foram montadas pelos organizadores do Prado Moto Rock, onde os motociclistas eram recebidos com melancia para hidratar, massagem para aliviar as tensões da estrada e, em seguida, acarajé para dar a sustância necessária de curtir ainda naquele dia, as belezas de Prado. Achei interessante ver que os nativos falam, “do Prado”, em vez de falarem, “de Prado”, quando se referem a sua cidade.

Aplausos para os organizadores do Prado Moto Rock. Uma recepção digna de quem valoriza seus visitantes.

Sem dificuldade, encontramos uma casinha aconchegante, por apenas R$ 300,00, para ficarmos por dois dias. Que pena! Foram só dois dias... Mas foram dois dias de total alegria e encantamento. Gente que gosta de gente, “especialmente de motociclistas". Praia de águas mornas, coqueiros à beira-mar, restaurantes que quase são atingidos pelas pequenas ondas, de tão pertos que ficam do mar, onde a animação é garantida por um cara muito figura, conhecido como Super Choque. Um dançarino baiano, que anima a galera, enquanto repete vez por outra a sua frase, “é di Bahia, pai!" Super Choque ficou famoso, por postar um vídeo na internet, tomando banho com água de coco, e se gabando muito por isso...

A noite chegou e com ela as motos. Os motores roncando e celebrando mais um dia de Moto Rock. No palco, bandas excelentes, como o Calibre de Rosas, cover do Guns N’ Roses, O Ayrton Ramos, cover do Raul Seixas, Renato Rio blues, e pra fechar, a magnífica banda Drena. Infelizmente, não pude curtir outras bandas que passaram por lá. É rock de verdade, o que acontece em Prado, ou “no Prado”, como eles falam por lá. Tudo sob o comando do nosso queridíssimo locutor, Ramos Aranha, a voz do motociclismo brasileiro.

Muitos expositores de assessórios para motocicletas, além do ônibus Honda Dream. Barracas de alimentação, artesanato local e muitos outros atrativos, fazendo de Prado, a capital do Rock e das motocicletas, naquele inesquecível fim de semana, em que estive por aquelas bandas.

Estar tão longe de casa e sentir-me tão à vontade, estando rodeado de irmãos, uns conhecidos de longa data, outros que acabara de conhecer... Estar numa cidade turística, de natureza exuberante, são maravilhas que o motociclismo tem me proporcionado.

Hoje, em minha casa, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, fico pensando: “Obrigado Prado!” Que em 2018, possamos novamente reviver essa experiência de amor.

Edris Oliveira Vasconcellos

Pres. M G Falcão Peregrino de São Gonçalo

 

 

 

 

 

UM AMOR, UM GOLE E UM GOLPE

 

Tenho sempre a sorte de fazer novas amizades durante minhas viagens por esse “brasilzão”. Essas amizades começam sempre por assuntos ligados ao motociclismo, as motocicletas, as viagens, lembranças de moto-clubes amigos, algumas especificidades de determinadas marcas e modelos, ou mesmo, quando sou reconhecido pelos textos publicados no Jornal Motorcycle e no Site Mototour. Confesso que fico surpreso com a amplitude dessas matérias através desses dois meios de comunicação especializados, que alcançam lugares longínquos como, Barretos/SP, Formosa/GO, Bonito/MS, Araxá/MG, etc,etc,  onde sempre tem alguém curtindo e lendo sobre essa nossa paixão chamada motociclismo.

Em uma de minhas viagens recentes, num pequeno município do Estado de São Paulo que, por questões de fidelidade a confiança, que me foram depositadas para não citar o nome da Cidade, fui surpreendido com uma história muito interessante, que me foi revelada por uma moça motociclista, com seus quarenta e poucos anos de idade, leitora assídua dos colunistas do jornal e do site que, quase que decorado, relembrou um de meus textos, chamado “Um amor, uma distância”, onde a separação de um casal que se conheceu num evento, foi, realmente, devido a distância continental, pois, ele era daqui e ela uma diplomada da França

A princípio, julguei que tal conversa poderia ter sido motivada por alguns goles de algum destilado. No entanto notei, logo, a total sobriedade daquela bonita motociclista escudada, muito bem vestida com um Jeans “cerzido” nos joelhos, uma bela blusa azul clara, consideravelmente decotada, que fazia destacar um cordão de ouro com um pingente em forma de uma pequena Custom, com punhos brancos e, uma pequena flor de lis,(Dudalina) bordada, na altura do seio. Seu cabelo curto, liso e bem escuro, era quase que totalmente engolido por uma touca branca de Croché onde sobressaía uma minúscula franja, charmosíssima, que quase encobriam seus lindos olhos amendoados. Nos pés, uma linda bota azul marinho caracterizando seu gosto pelo tradicional “tom sobre tom”, azul.

Após alguns elogios sobre os textos já lidos e uma rápida apresentação formal, com um único e típico beijo paulista, na face, a linda moça, subitamente, relata ter tido um grande amor, nascido num desses encontros motociclístico, sobre o qual parecia muito com aquela paixão descrita no texto “Um Amor uma distância”, mas que, a distância não teria sido o motivador do fim daquela história de amor, mas sim, e lamentavelmente, o álcool.

Quando ela disse aquilo, fiquei surpreso em estar ouvindo, de uma linda mulher, uma história que me pareceria igual a tantas outras que conhecemos onde, a bebida ou o uso exagerado do álcool, teria sido o protagonista de mais um desenlace, de mais um fim de relacionamento, ou mesmo o final de mais um grande amor surgido entre duas rodas.

Ela, por sua vez, desarmada pela saudade e pelas lágrimas que surgiram em seu rosto, disse-me com a voz embargada: “Fiz de tudo para que ele se afastasse da bebida sem limites, das amizades demoníacas do uso do álcool, e da incrível sensação de que, mesmo muito alcoolizado, afirmava estar, sempre, em condições precisas para pilotar sua moto”.

Na saída de um desses grandes eventos, por volta das 02:00h da madrugada ao pegar, com sua esportiva de 1300 cilindradas, a Rodovia Raposo Tavares, fez sua última viagem terrena onde, numa curva de média velocidade, levado pela confiança demasiada traçou uma reta deixando, pára trás, além de alguns amigos que o acompanhavam, também um grande amor.

Meus amigos motociclistas. Não foi a primeira e nem será a última vez que falaremos desse hábito descabido que é o uso excessivo de bebidas alcoólicas acompanhado pela certeza de que, seu uso exagerado não interferirá em seus reflexos durante a condução de uma motocicleta. Aliado a essa causa, é nítido que, alguns desses usuários deveriam sim,  lutar por um tratamento, pois, o uso indiscriminado, quase que todos os dias, sem motivo justo ou lógico, ou até mesmo como forma esporádica por julgar necessário comemorar algo reconhecidamente de pouca importância como uma vitória futebolística, nada mais é do que, o alcoolismo como doença que merece uma atenção toda especial por parte daqueles que nos rodeiam e, principalmente, por parte daqueles que julgamos serem nossos verdadeiros amigos. À você, amigo motociclista, que não consegue enxergar esse mal silencioso, pense que, existe e existirá, sempre, um amor triste que foi, ou ainda será derrotado pela tristeza causada pelo álcool. Ainda é tempo de preservarmos o prazer de um grande amor.

Boas estradas.

 

Cel Dario Cony

 

 

 

Edris Oliveira Vasconcellos

 

IRMANDADE QUESTIONADA

Alguém vai para a rede social e pergunta: “Que irmandade é essa?”

Logo um fórum é formado e diversas opiniões são postas. A maioria delas, embarcam no descontentamento daquele que levantou a bola. E o que não falta é gente pra chutar uma bola que vem quicando...

O motociclismo, ao qual fazemos parte e tanto amamos, está sendo questionado e no meu nupérrimo ponto de vista, penso que a irmandade motociclística sempre existirá. Existirá dentro de mim e de quem nela acredita. E se não estou sozinho nesse pensamento, logo a irmandade é real.

Não é difícil ver grandes exemplos. Basta ver com bons olhos. Vasculhe na boa gaveta da sua cabeça. Pois se você for naquela gaveta lá de baixo, onde pega poeira e você coloca tudo que não presta, certamente você vai encontrar os exemplos ruins, que sempre vão te entristecer. Sua mente armazena tudo! As melhores pessoas, as grandes atitudes, você guarda na melhor gaveta mental. Já as pessoas pobres de espírito, egoístas e egocêntricas, você joga naquela gaveta lá de baixo, e dependendo de como foi o seu dia; logo você que tanto ama o motociclismo, é justamente atraído pela gaveta empoeirada e suja. E quando começa mexer nela, a sujeira vai te irritando e você acaba colocando pra fora. Mas e a gaveta de cima? Aquelas pessoas, ações e atitudes maravilhosas, perderam o valor? Certamente não! E se elas existem, logo a irmandade é real.

Em todo e qualquer grupo de seres humanos, encontraremos o joio em meio ao trigo. A imperfeição faz parte da natureza humana e, dependendo de como anda o seu humor, ou você suja as mãos na gaveta de baixo, ou se encanta com a gaveta de cima.

 

Edris Oliveira Vasconcellos

Pres. M G Falcão Peregrino de São Gonçalo

 


 Edris Oliveira Vasconcellos

 

PARADINHA PRO CAFÉ

Não é só o gosto. É o momento, a parada, a pausa.

Numa viagem, a paradinha pro café é essencial. Na verdade não paro por que senti uma vontade louca de tomar um cafezinho, embora seja eu, um apreciador dessa “bebida de adulto”. Paro para contemplar aquele dia. Dia em que estou na estrada, e o cafezinho quente, servido em qualquer posto, lanchonete, ou boteco à beira da estrada é a companhia perfeita. Sozinho, degustando a bebida quente de sabor forte e marcante, me ponho a pensar... Refletir sobre coisas boas da vida, ou até mesmo sobre as dificuldades que muitas vezes, tem a solução nascida num desses momentos de introspecção.Mas se estou acompanhado ou até mesmo em grupo, o cafezinho tem outra função. Ele une, junta, embala curtas reuniões entre amigos. O cafezinho vai descendo, aquecendo o corpo e a alma, enquanto a vida é celebrada à beira da estrada.

Há quem prefira o ininterrupto trajeto. Tem aquele que prefere o destino.

Eu gosto do caminho...

Sigo sem pressa

Degustando um cafezinho  

O bom da vida é o que interessa.  

Edris Oliveira Vasconcellos

Pres. do M. G. Falcão Peregrino de São Gonçalo

 

 

 Edris Oliveira Vasconcellos

A MAGIA DO COLETE

 

 

 

O que acontece comigo quando visto o colete do meu moto clube, não deve ser exclusividade minha. Certamente não é.

Visto o meu colete e sinto orgulho. Orgulho de ser representante de um grupo seleto de pessoas honradas, pelas quais tenho muito respeito, e por que não dizer, amor...

Uma viagem longa, ou até mesmo um passeio pela minha cidade torna-se diferente, quando carrego as cores do meu moto clube, pois sei que estou levando comigo o número de integrantes deste clube, logo nunca estou só.

Dizendo assim parece fantasioso, mas não é. É real!

O motociclista devidamente escudado, leva o seu clube para onde ele for, e o contrário também acontece.

Desde que percebi que o motociclismo havia se tornado visceral na minha vida, passei a questionar-me sobre até que ponto isso seria positivo, ou até mesmo se eu não estava vivendo uma tola ilusão. Entretanto, com o passar dos anos, vou tendo a cada dia, provas de que não estou errado. É bom fazer parte de um grupo. Sim, é muito bom!

É importante servir, assim como também é valioso ter com quem contar.

É difícil para quem nunca montou numa moto, poder imaginar toda a emoção que essa máquina nos proporciona. Principalmente nossos familiares, que ficam com seus corações nas mãos, quando nos veem partir em viagem.

Ah, mas se eles soubessem o quanto somos felizes quando estamos na estrada...

Se eles soubessem, como nossos corações batem acelerados, quentes, enquanto nossas cabeças vão gradativamente esfriando, com o passar da paisagem...

É coração aquecido e cuca fresca!

Aos poucos vamos deixando para trás nossos males, e ganhando vida nova a cada quilômetro vencido.

E que orgulho, carregamos conosco!

Nossas cores, nosso clube, nossa essência.

Tenho sim, orgulho de ser motociclista. E quando ouço alguém dizer que o bom mesmo é estar no conforto de uma BMW, eu penso: “como somos diferentes! Ainda bem! Porque se fossemos todos iguais, que chatice seria esse mundo!”

Edris Oliveira Vasconcellos

Pres. do M. G. Falcão Peregrino de São Gonçalo

 


Dario Cony


Viagem solo, ou em grupo?

 Como muitos sabem, sou um amante do motociclismo estradeiro e, quando fui para a inatividade em 2009, tenho curtido fazer algumas viagens, pelo interior do Brasil, geralmente, sozinho. Criei o hábito de programa-las de forma muito simples, utilizando duas ferramentas importantes da internet: o Google Maps, onde vejo os roteiros, a situação das estradas, o tipo de piso, as distâncias a serem percorridas, além de outras informações facilmente acessadas, que me permitem saber sobre pedágios, percursos menores, tempos de viagem, identificação das estradas, cidades principais e distritos secundários, permitindo conhecer lugares, pouco visitados, por não estarem nos principais eixos rodoviários das conhecidas “BRs” ou das principais rodovias estaduais.

Quando nas cidades, costumo utilizar o aplicativo Waze, que permite chegar aos endereços escolhidos, de forma bem simples. Quando sem sinal de internet, uso a forma mais antiga utilizada para se pedir uma informação: - “Por favor”, “bom dia” (tarde ou noite) poderia me informar onde fica.........., Obrigado”. Por diversas vezes, fui indagado por amigos, sobre o motivo de não utilizar um GPS, uma vez que, temos excelentes aparelhos no mercado nacional e diversas marcas de importados. Humildemente, dou como resposta que, apesar de ter dois (um ganhei de presente de um grande amigo, e outro que, apesar de comprado nos EUA, doei para outro amigo), não consigo me adaptar e não quero ter mais essa preocupação durante a condução da minha moto pelas estradas.

Mas o nosso tema de hoje é uma escolha: Viagem Solo, ou em Grupo?

Amigos, essa escolha é muito pessoal e depende de alguns fatores específicos a cada modalidade, dentre as quais, a finalidade do passeio e o objetivo final (visitas de outros grupos, comemorações festivas, filantropia, etc). Quando esse tema é discutido entre motociclistas, sempre ouço que, como principal motivo para se andar em grupo é a possibilidade de um sinistro onde, uma pessoa estando sozinha, teria mais dificuldade de assistência ou socorro. No entanto, me permito lembrar que, não andamos de motos para cair, mas sim, para não cair, ou seja, andar com segurança, dentro dos limites de velocidade, obedecendo às leis de trânsito e respeitando os demais usuários das vias, são procedimentos que ajudam em muito, e evitam os acidentes, levando-se em conta que existem as fatalidades, mas que se ficarmos com medo destas, não sairemos de casa e nem viveremos.

Desnecessário se faz lembrar que, todos nós sabemos, ou já ouvimos falar, sobre diversos sinistros, ocorridos entre os participantes de um comboio, ou um grupo de motociclistas, quer em pequenos passeios, ou em grandes percursos, levados exatamente pela falta de atenção, a imperícia e negligência, a preocupação com quem está atrás, a preocupação daquele que puxa o comboio, entre outros fatores comprovadamente causadores de algumas colisões traseiras, derrapagens, ultrapassagens indevidas, ou mesmo, por “disputas” pessoais entre alguns, motivados por vaidades, potências de motor, modelos e estilos de motocicleta, etc, etc,

Longe de querer polemizar, e respeitando aqueles que gostam de sair em grupos por motivos pessoais, pela necessidade e prazer das companhias, por afinidades específicas entre amigos, pelo prazer do bate-papo nas paradas, ou mesmo, pela considerável beleza que pode parecer aquele grande número de motos, e motociclistas, juntos, principalmente de determinadas marcas (HD, BMW, Esportivas), ainda entendo que a viagem solo consegue fazer diminuir, em muito, diversos daqueles fatores causadores de desagrados, discórdias, disputas, e até sinistros, (evidentemente não fugindo das fatalidades que podem acontecer estando sozinho ou em grupo) e nos permite, apenas, nos preocupar com a beleza das estradas, das paisagens, com o trânsito de veículos, com as ultrapassagens seguras, com as armadilhas das estradas (pedaços de pneu, buracos,..), parar onde quiser, não ficar preso a horários, não se preocupar com a velocidade de outros, abastecimentos, vontades próprias, enfim, sentir a grande sensação de liberdade descompromissada de regras e normas que o motociclismo, principalmente estradeiro, nos permite sentir.

Amigos, desfrutar da companhia de alguém é sempre natural e faz parte da nossa convivência em sociedade, mas, garanto que uma viagem solo nos leva há alguns momentos de reflexão, de valorização da vida, da natureza, das pessoas que gostamos e amamos mesmo que distantes. Tais momentos, só serão divididos com DEUS que, sempre estará conosco, acionando os manetes e os pedais dessa nossa paixão chamada motociclismo, quer em viagem Solo, ou em Grupo. Boas estradas.Dario Cony

 

 

 Dario Cony

 

MOTOCICLISMO COM DIREITOS E DEVERES, AMIZADE E RESPEITO.

 Existem algumas expressões usadas no nosso cotidiano que significam uma satisfação otimista do que ocorre ao nosso redor. Entre elas: “A vida está um mar de rosas”, ou, “O resultado está dentro do esperado”, e, finalmente, “Está tudo tão bom que, se melhorar, estraga”.

Transportando todo esse otimismo para a filosofia do motociclismo, reluto, mas afirmo que não estamos passando por um bom momento quando avaliamos alguns dos últimos acontecimentos presenciados nas ruas ou mesmo discutidos em nossas rodas sociais nos encontros e eventos que tenho frequentado.

Dentre tantos assuntos destacamos três deles que, se algo de imediato não for feito por nós e por aqueles responsáveis pelo cumprimento das leis, nosso otimismo poderá estar naufragando num mar “sem rosas”, completamente “fora do esperado ou planejado” e, tenderá realmente a “estragar” toda uma filosofia de vida que só tem dado mostras de que, quando queremos e fazemos algo pelo próximo, nem as barreiras do pessimismo serão intransponíveis ou insuperáveis.

O primeiro, e mais lamentável comentário, são os acidentes envolvendo motociclistas em todo o Brasil. Não é novidade para ninguém o crescimento do número de acidentes com vítimas, até fatais, onde, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro, chega a ser alarmante a mobilização do Corpo de Bombeiros para o resgate de acidentados com motocicletas nas principais vias que cortam o Centro do Rio incluindo aí as Linhas Vermelha e Amarela, Avenidas Brasil, Presidente Vargas e Rio Branco e os elevados da Perimetral, Gasômetro e Dois Irmãos, acreditando que não deva ser muito diferente nas demais metrópoles do País, principalmente, na grande São Paulo. A proporcionalidade dos acidentes já superou, em muito, o número de novas motos em circulação, ou seja, o aumento de acidentes ultrapassou o número esperado ou “projetado” levando-se em conta o número de novas motos vendidas nos Estados.

Como segundo aspecto comentado, nos direciona ao comportamento de alguns motociclistas que, sequer, respeitam ou cumprimentam seus semelhantes quando em suas máquinas, quer nas ruas das grandes cidades, quer nas estradas e rodovias. Apesar de saírem pregando verbalmente a fraternidade, igualdade e amizade, agem de forma antipática e sem qualquer companheirismo em nosso meio. Tal atitude pude constatar pessoalmente, durante um abastecimento, quando fui surpreendido com a chegada de quatro bi-cilíndricas importadas, onde, seus condutores lembravam aqueles antigos “cowboys” quando chegavam numa cidade do velho oeste americano. Suas “caras de Mal” jamais irão significar grande perícia ou pleno conhecimento na condução de suas máquinas, mas sim, um comportamento antipático e mal educado onde, na realidade, não passa de um “tipo” para parecerem os “donos do pedaço”. Incomodado com aquele comportamento, fiz questão de cumprimentá-los com um singelo “bom dia para vocês e uma boa viajem”. Para minha surpresa os encontrei em um evento, onde, dois deles vieram se desculpar pelo do comportamento e hoje são amigos e companheiros de estrada.

Finalmente, como terceiro e último aspecto escolhido, não posso me furtar em citar uma discriminação descabida e sem propósito, existente entre alguns escudados e aqueles que, por não quererem o compromisso do cumprimento de regras, estatutos e regulamentos impostos pelos Clubes, preferem, democraticamente, andarem em suas máquinas sozinhos ou mesmo acompanhados, mas que, ao chegarem a alguns eventos são até obrigados a pagar ingressos diferenciados por não serem “coletados”. Isso é de uma falta de consciência tão grande que, só não é maior do que as ridículas regras de alguns clubes que tratam os “PPs” como escravos e serviçais. Quando um de seus integrantes é afastado, estes são proibidos de ostentar outros escudos ou participar de novos clubes, sendo passíveis de intimidações e violências por parte dos demais integrantes. A meu ver, um motociclista que se submete a isso esquece seus direitos e garantias individuais tão citados em nossa Constituição maior. Tal autoritarismo fantasioso, postura, linguajar chulo, prepotências exacerbadas, etc,..só levam a destruição de grandes amizades e fogem aos objetivos precípuos de respeito ao próximo, à irmandade e a alegria por essa nossa paixão pelas duas ou três rodas.

Meus amigos motociclistas. Temos lutado contra preconceitos que rondam o motociclismo nacional, independentemente de sermos escudados ou não, até porque não somos melhores que ninguém. A Caveira, símbolo do motociclismo por representar a igualdade, jamais pode aceitar comportamentos que venham a desvirtuar as finalidades de uma convivência sadia, de uma participação fraterna onde a solidariedade e o respeito deixam de ser prioridade, prevalecendo interesses estúpidos e vaidades pessoais. Está na hora de fazermos uma reflexão sobre aqueles que insistem em querer denegrir uma filosofia de vida com comportamentos discriminatórios, anti-sociais, arruaceiros e que levam para brigas, discussões desnecessárias que, de forma nenhuma, representam o motociclismo. É hora de “virar a mesa” e não aceitarmos em nosso meio qualquer tipo de interferência para promoção própria e sem qualquer visão ou contribuição para um motociclismo sadio, alegre e fraterno.

Portanto, lutemos por nossos direitos de ir e vir com toda segurança, continuemos com nossas convicções de um motociclismo voltado para uma boa causa e, finalmente que, o gesto de um cumprimento, um aperto de mão ou um fraterno abraço sejam a marca de um ideal de vida, um ideal de amor ao próximo para que possamos dizer finalmente que, o motociclismo ainda é um “mar de rosas”. Uma pequena homenagem aos irmãos que nos deixaram nesses últimos meses. Boas estradas.

Dario Cony

 

Dario Cony

PARE e SIGA. Novo amor, Nova Vida.

 

Num evento em São José dos Campos, SP, fui indagado por um amigo, Presidente dos Canibais Moto Clube, se as minhas crônicas, baseadas em histórias de amor, eram embasadas em fatos reais ou, apenas, em romances fictícios, deixando o leitor na dúvida se eram verídicos ou não?

Fiquei meio sem jeito de explicar que, alguns dos casos foram totalmente verídicos e deles tirei inspiração para as linhas, porém, alguns desses casos sobre amores perdidos, os recebi de pessoas que nos chamam num cantinho e desabam em contar suas histórias sempre na intenção de vê-las publicadas, além de aproveitarem aquela oportunidade para mandarem algum “recadinho”, bom ou ruim, para alguém. Porém, é claro que, para um bom romancista (sobre o qual não me incluo), sempre haverá uma “dose” de fantasia inspiradora, principalmente quando não queremos identificar os fatos e os protagonistas.

E assim aconteceu, mais uma vez, durante um evento em Paulínia/SP onde, numa roda de amigos, conheci um grande sujeito, que me foi apresentado apenas como Lino, amante das Big Trails, com seus quase quarenta anos de idade, boliviano de Santa Cruz de La Sierra, mas, paulista por opção, devido sua carreira de medicina ter sido aplicada no interior de São Paulo. Depois de um bom papo sobre as vantagens de sua motocicleta nas estradas de terra, deu por me contar sua história de amor, na expectativa que eu a transformasse numa crônica onde, na verdade, estaria mesmo era homenageando uma pessoa.

Contou ele que, numa de suas viagens para Joinville/SC, no inicio de ano de 2009, num desses “Pare e Siga”, altura do município de Registro, nosso amigo ficou parado por cerca de 20 minutos devido a necessidade de reparos em uma das pontes da BR 116, onde era utilizada apenas uma pista de rolamento. O critério para liberação do trânsito era o mais simples possível e bem tupiniquim, ou seja, ao último motorista do carro liberado, era entregue um bastão, com um pano vermelho, que era repassado ao fiscal, do outro lado do percurso e, esse liberava o transito em sentido contrário, até que um ultimo, daquele sentido, o levaria de volta permitindo a liberação de uma espera, por vezes, de quinze a vinte minutos.

Nessa parada, nosso amigo conheceu uma jovem motociclista estradeira, carioca, com seus quase trinta anos, de linguajar simples e educado, muito simpática e com atitudes bem definidas ao descer da moto. Tinha cabelos negros, curtos e escondidos em uma bala-clava, observado quando da retirada de um belo Shoei escamoteável. Razoavelmente alta, totalmente equipada com roupas especificas para viagens longas, e que ostentava a marca de sua, também, Big Trail, porém de cilindrada menor a de nosso interlocutor. Após algumas trocas de opiniões sobre suas motocicletas (da mesma montadora), foi acordado entre ambos que iriam juntos até o destino, a Cidade de Joinville, onde lá estaria por se iniciar um grande evento motociclístico.

Naturalmente que as seguidas paradas, necessárias para abastecimento e hidratação, quase que dobraram, pois, ele não poderia perder a oportunidade de, a cada uma dessas, apreciar aquela Nefertiti de cabelos negros e curto, mesmo que ensopados pelo calor da estrada.E assim foram conversando, se conhecendo a cada parada, por cerca de quase 370 Kms rodados entre o desvio e o ponto final. Lá hospedaram-se em pousadas distintas, pelo menos no primeiro dia, pois, após curtirem o evento, ouvirem músicas marcantes, e tomarem algumas “geladas”, finalmente surgiu uma grande paixão, um grande interesse em ficarem juntos, tudo aquilo iniciado num “bendito” Pare e Siga da estrada.

Porém havia um grande problema. Nosso amigo era casado, morava no interior do estado onde atuava como médico concursado, além de possuir consultório próprio para complementação de renda, e teve, finalmente, que confessar sua situação civil para aquela que havia lhe trazido tantos momentos de prazer, de alegria e intensa paixão de um final de semana. Para aquela linda mulher foi uma grande surpresa, uma vez que, nem marca do símbolo de um matrimônio, uma aliança, havia em seu dedo anelar esquerdo, o que a levou a julgar ser um solteirão, ou no máximo um divorciado.

Diante daquela confissão, senti-me frustrado e já julgando que aquela seria mais uma história, entre tantas, com inicio, meio e fim, num mesmo final de semana. No entanto para minha surpresa, naquele momento, vejo aproximar-se dele, uma bela senhora, muito parecida com as características narradas no início da dissertação. Com a chegada dela ele disse: Amigo, essa é a Teresa, minha mulher. Após abraça-la e beija-la, ele complementa com a seguinte fala: Essa é a minha paixão das estradas, o motivo de toda a minha história, de toda a história que acabei de lhe contar.

Após passados quatro meses daquela aventura acontecida em Joinville, aquele encontro motociclístico, aquele excitante e explosivo final de semana, nosso Doutor decidiu divorciar-se de um casamento de sete anos, porém desgastado e sem emoções, decidindo por procurar aquela “deusa” sobre duas rodas e, hoje, após seis anos de relacionamento, formam um belo casal, motociclista, estradeiro que, a cada oportunidade que a vida lhes permite, pegam a estrada e retornam a recordar aqueles primeiros momentos onde selaram uma paixão que só a motocicleta consegue fazer.

Fiquei feliz pelo relato final, lamentando apenas, que aquele evento de 2009, tenha sido um motivador para o final de um matrimonio, mas que, assim como terminou um enlace, também fez surgir um novo amor, gerando uma pequena e linda menina, hoje com 4 anos de idade, chamada por Ana Cristina, e que, certamente será uma nova futura motociclista estradeira.

Por fim, amigos motociclistas. Se o objetivo da historia narrada era uma homenagem àquela escolhida, acredito que o recado foi dado.

Boas estradas.

Dario Cony

 

 

Roberto Leal

 

Moto Eternidade

Um dia eu acordei e estava num comboio de motos nas nuvens,todas as motos eram brancas e da marca JC e reparei que minhas roupas eram iguais as dos outros motociclistas que seguiam comigo, todos de vários estados do Brasil e do mundo, todos de branco, calças, casacos, luvas, botas, tudo em couro de cordeiro branco e capacetes totalmente brancos e fosforescentes.

Os motores das motos tinham o som de uma harpa e todas da mesma cilindrada. Todos usavam um colete com um brasão onde estava gravado em ouro branco Moto Eternidade.

Foi quando entramos num portal onde um Senhor nos pediu para estacionar a moto e nos disse:

Aqui começa a Estrada da Nova Vida, estrada de mão única onde não haverão incidentes, acidentes nem enguiços, onde vocês iram exercitar somente o ato de amar ao próximo, pois cada um deverá sempre andar com todos, em amor, em união, sem preconceitos, sem diferenças de motos, sem invejas, brigas, mentiras, traições, fofocas, intrigas, divisões e interesses pessoais maiores do que apenas amar. Então eu perguntei: Senhor que marca de moto é essa JC e para que os equipamentos de segurança se não haverão acidentes e porque o capacete fosforescente ?
O Senhor então nos disse: A marca JC é Jesus Cristo e os equipamentos são para quando vocês orarem pelos seus irmãos lembrarem de pedir que usem sempre equipamentos de segurança e o capacete fosforescente é porque agora vocês vão ter a mente de Cristo e passarão a iluminar as estradas de seus irmãos, vão em Paz.
Seguimos então pela Estrada da Nova Vida onde mais a frente encontramos todos os nossos queridos irmãos e irmãs felizes em suas JC nos aguardando para comemorar com grande festa nosso reencontro.
Ficamos por aqui esperando vocês sem pressa mas em permanente oração para que desde já comecem a exercitar o ato de amar ao próximo acima de qualquer coisa ..... Boas estradas !!!!!

De um irmão motociclista lá de cima que te ama muito.

Roberto Leal - Cara & Coroa Moto Clube